Onde não se mede a saudade pela latitude

Da varanda, víamos o sol desmaiado refletindo nos prédios. Vicente, o mais bebê das crianças, ainda sorrindo, já tinha os olhos pesados de sono. As outras corriam pela sala enquanto as mães conversavam. O DVD já há algum tempo repetia continuamente a vinheta de abertura.

Na cozinha, coloco água a aquecer para o café e o Marcelo cuida da louça. Rodrigo, o gaúcho da turma, comenta que da próxima vez faremos um churrasco. Sobre o fogão, a farofa, o pernil ainda pela metade, alguma pouca salada murcha. E a calda perfumada que sobrou da compota da kinkan. Marcelo fita a calda com um olhar comprido de mineiro querendo alguma coisa.

– Um desperdício jogar fora esta calda. Ela ficaria perfeita em cima de um “bolim”…

Quase como mágica, eu abro o armário e tiro três muffins de goiabada que eu fizera no dia anterior. Marcelo corta os muffins, despeja a calda.

Sentamos à mesa e olhamos em volta, para nossas mulheres lindas e nossas crianças que vão crescendo. Lembramos dos nossos pais, espalhados pelo Brasil de norte e sul, ou morando em outras terras, onde a distância já não se mede pela latitude, mas pela saudade.

O café está servido. Feliz Dia dos Pais.

Bolinho com calda de laranja

Marcelo e Rodrigo atacam os muffins

umlitrodeletras

5 Comments

  1. Sandro,
    é sempre um prazer a leitura dos seus textos. E agora ainda mais sabendo que participei um pouco deste pernil. Um abraço, N (e felizes todos os dias dos pais)

  2. Muito bom passar o dia dos pais com os amigos, as crianças, o pernil e meu chef de plantão, Sandro Marques.
    Verdade seja dita: o doce e a calda da laranja ficará na história.

    Você e a Ângela são muito gentis. Obrigado!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *